abril 24, 2007
abril 17, 2007
Admiração
Meus olhos, famintos, não se cansam de te acariciar
Procuram sempre um novo ângulo pra te admirar
E sonham mergulhar na sua boca de vulcão
Provar todo o calor que há na sua erupção
Escorregar nos rios claros das margens dos teus pêlos
E encontrar o ouro escondido que brilha em seus cabelos
Devorar a fruta que te emprestou o cheiro
E talvez desfrutar de um amor puro e verdadeiro
Esquecer o espaço, o tempo e o viver
Perder a noção do que é ter a noção do perder
Se um dia eu fui alegria ao te conhecer
Agora canto porque sinto a dor de não te ter
(Admiração -Paulinho Moska)
Eterna parece a tarde...
por Jane & Cia pelas 1:50 p.m.
Vamos enganar o Tempo
(D. Quixote - Ilustração de Salvador Dali)
Vamos lá contar as armas
tu e eu, de braço dado
nesta estrada meio deserta
não sabemos quanto tempo as tréguas vão durar...
há vitórias e derrotas
apontadas em silêncio
no diário imaginário
onde empilhamos as razões para lutar!
Repreendo os meus fantasmas
ao virar de cada esquina
por espantarem a inocência
quantas vezes te odiei com medo de te amar...
vejo o fundo da garrafa
acendo mais outro cigarro
tudo serve de cinzeiro
quando os deuses brincam é para magoar!
Vamos enganar o tempo
saltar para o primeiro combóio
que arrancar da mais próxima estação!
Para quê fazer projectos
quando sai tudo ao contrário?
Pode ser que, por milagre,
troquemos as voltas aos deuses
Entre o caos e o conflito
a vontade e a desordem
não podemos ver ao longe
e corremos sempre o risco de ir longe demais
somos meros transeuntes
no passeio dos prodígios
somos só sobreviventes
com carimbos falsos nas credenciais
Vamos enganar o tempo...
(Passeio dos Prodígios) por Jorge palma
enganar o tempo... repousar as armas... pegar nas armas... iniciar a luta... repousar na paz... encontrar abrigo... escapar à morte... designar a sorte... acreditar... enquanto houver estrada para andar...
Eu e Tu!
por Jane & Cia pelas 8:16 a.m.
abril 16, 2007
por Jane & Cia pelas 11:17 a.m.
abril 13, 2007
The Killing Moon

photo by: Ron & Haemin Rapp
A partir de hoje não tens mais obrigações, Obrigações?
Viro-me do avesso e ainda assim não me mostro...
caminho de olhos vendados, caminho... ainda que me falte o chão, caminho...
incrédula das palavras... as palavras proferidas como punhais...
ainda que o chão me falte...
Sou...
a acreditar...
por Jane & Cia pelas 10:11 a.m.
março 21, 2007
Transforma-se o amador na cousa amada
Dia do Teatro Amador . Dia da Árvore
Equinócio da Primavera . Dia da Poesia
*
Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,
Está no pensamento como ideia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.
Luís de Camões
Muita M... meus Amores!!!
Estou sempre convosco, SEMPRE!
por Jane & Cia pelas 2:46 p.m.
março 19, 2007
Tempo de Procurar Caminho

A La Recherche du Semeur de Rases, Janou-Eve Le Guerrier
"Enfim, enfim quebrara-se realmente o meu invólucro, e sem limite eu era. Por não ser, era. Até ao fim daquilo que eu não era, eu era. O que não sou eu, eu sou. Tudo estará em mim, se eu não for; pois 'eu' é apenas um dos espasmos instantâneos do mundo. Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior - é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido. Da organização geral que era maior que eu, eu só havia até então percebido os fragmentos. Mas agora, eu era muito menos que humana - e só realizaria o meu destino especificamente humano se me entregasse, como estava me entregando, ao que já não era eu, ao que já é inumano. E entregando-me com a confiança de pertencer ao desconhecido. Pois só posso rezar ao que não conheço. E só posso amar à evidência desconhecida das coisas, e só me posso agregar ao que desconheço. Só esta é que é uma entrega real."
Clarice Lispector, in 'A Paixão Segundo G.H'
por Jane & Cia pelas 12:22 p.m.
março 14, 2007
dentro de mim

foto: Miles Aldridge
Fecho os olhos para que a vida desfile solitária.
Fecho os olhos porque é dentro de mim que te encontro!...
por Jane & Cia pelas 4:55 p.m.
fevereiro 14, 2007
Percorrerei
Percorrerei
Por toda a pátria esquecida
Milhões de caminhos
Silêncios
Estradas
Da poeira farei alimento
E
Minha luz
Será o próprio vento
Que me empurra
Deixarei perdido
Todo e qualquer
Rasto de outro rosto
E
Só
Cessarei
Quando te achar
Quando os teus olhos
Não mostrarem
Se não os meus
E na tua pele arrepiada
De encontro à minha
A água brotar
Como um aviso
Do fogo eterno que nos toma
Morro
Em ti
Amor
Que me chamas!
J.
por Jane & Cia pelas 11:15 a.m.
fevereiro 02, 2007
fevereiro 01, 2007
janeiro 30, 2007
Para a minha menina agora tão MULHER

Para ti AQUI
O que eu te desejo, na data em que completas tão ricos 22, é que a vida te brinde SEMPRE com momentos tão brilhantes e intensos como os que vivemos juntas no Palco.
Que sejas Intensamente Feliz!*
por Jane & Cia pelas 12:01 a.m.
janeiro 22, 2007
Paciência
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não paraEnquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saberA vida é tão rara (Tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não para não)
Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não para não...a vida nãopara)
Lenine
por Jane & Cia pelas 5:08 p.m.
Dos sentidos
são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?
por Jane & Cia pelas 10:34 a.m.
janeiro 19, 2007
os teus olhos
Que te sintas perdido nesse olhar.
E que nesse instante,
por Jane & Cia pelas 5:51 p.m.
janeiro 18, 2007
Chegou virtualmente
"Entrei apressado e com muita fome norestaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, porque queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia, para comer e acertar alguns bugs de programação num sistema que estava a desenvolver, além de planear a minha viagem de férias, coisa que há tempos que não sei o que são.Pedi um filete de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada e um sumo de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime não é?Abri o meu portátil e apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:- Senhor, não tem umas moedinhas?- Não tenho, menino.- Só uma moedinha para comprar um pão.- Está bem, eu compro um.Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mail.Fico distraído a ver poesias, as formatações lindas, rindo com as piadas malucas.Ah! Essa música leva-me até Londres e às boas lembranças de tempos áureos.- Senhor, peça para colocar margarina e queijo. Percebo nessa altura que o menino tinha ficado ali.- Ok. Vou pedir, mas depois deixas-me trabalhar, estou muito ocupado, está bem? Chega a minha refeição e com ela o meu mal-estar. Faço o pedido do menino, e o empregado pergunta-me se quero que mande o menino ir embora.O peso na consciência, impedem-me de o dizer.Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição decente para ele.Então sentou-se à minha frente e perguntou:- Senhor o que está fazer?- Estou a ler uns e-mail.- O que são e-mail?- São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet (sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de questionários desses):- É como se fosse uma carta, só que via Internet.- Senhor você tem Internet?- Tenho sim, essencial no mundo de hoje.- O que é Internet ?- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler,escrever, sonhar,trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual.- E o que é virtual? Resolvo dar uma explicação simplificada, sabendo com certeza que ele pouco vai entender e deixar-me-ia almoçar, sem culpas.- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar,apanhar, pegar... é lá que criamos um monte decoisas que gostaríamos de fazer. Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.- Que bom isso. Gostei!- Menino, entendeste o significado da palavravirtual?- Sim, também vivo neste mundo virtual.- Tens computador?! - Exclamo eu!!!- Não, mas o meu mundo também é vivido dessa maneira...Virtual. A minha mãe fica todo dia fora, chega muitotarde, quase não a vejo, enquanto eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa, a minha irmã mais velha sai todo dia também, dizque vai vender ocorpo, mas não entendo, porque ela voltasempre com o corpo, o meu pai está na cadeia há muito tempo, mas imagino sempre a nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de natal e eu a estudar na escola para vir a ser um médico um dia. Isto é virtual não é senhor??? Fechei o portátil, mas não fui a tempo de impedir que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino acabasse de literalmente"devorar" o prato dele, paguei, e dei-lhe o troco, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi navida e com um"Brigado senhor, você é muito simpático!".Ali, naquele instante, tive a maior provado virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!
por Jane & Cia pelas 5:45 p.m.
janeiro 16, 2007
deserto de mim
por Jane & Cia pelas 4:21 p.m.
Velho
Cabeça a prumo segue rumo e nunca, nunca mais
O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais
O homem velho é o rei dos animais
A solidão agora é sólida, uma pedra ao sol
As linhas do destino nas mãos a mão apagou
Ele já tem a alma saturada de poesia, soul e rock'n'roll
As coisas migram e ele serve de farol
A carne, a arte arde, a tarde cai
No abismo das esquinas
A brisa leve trás o olor fulgaz
Do sexo das meninas
Luz fria, seus cabelos têm tristeza de neon
Belezas, dores e alegrias passam sem um som
Eu vejo o homem velho rindo numa curva do caminho de Hebron
E ao seu olhar tudo que é cor muda de tom
Os filhos, filmes, livros, ditos como um vendaval
Espalham-no além da ilusão do seu ser pessoal
Mas ele dói e brilha único, indivíduo, maravilha sem igual
Já tem coragem de saber que é imortal.
por Jane & Cia pelas 9:20 a.m.













